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IDENTIDADE DO ADOLESCENTE

IDENTIDADE DO ADOLESCENTE

  • IDENTIDADE DO ADOLESCENTE
  • O tema vital mais importante na personalidade adolescente:
    Desenvolvimento do EU
    Desenvolvimento da identidade pessoal
    Referem-se ao núcleo da pessoa. Está estreitamente vinculado à própria história do adolescente.
  • IDENTIDADE
    Consciência que o indivíduo tem de si mesmo como um ser no mundo.
    É o conhecimento por parte de cada indivíduo da condição de ser uma unidade pessoal ou entidade separada e distinta dos outros, o que lhe permite reconhecer-se o mesmo a cada instante da sua evolução ontológica.
  • “Uma organização interna, autoconstruída e dinâmica de impulsos, habilidades, crenças e história individual” (Marcia, 1980, p.159)
  • Vínculo de integração espacial – imagem corporal, representação que o indivíduo tem de si próprio.
    Conceito
    Operativo
    de Identidade
    Vínculo de integração temporal – capacidade de recordar-se do passado, imaginar o futuro, sentir-se o mesmo ao longo da vida, apesar das mudanças.
    Vínculo de integração social – diz respeito às inter-relações pessoais no decurso de sua existência.
  • O que eu penso que sou
    SENTIMENTO DE
    IDENTIDADE
    O que os outros pensam que sou
    O que eu penso que os outros pensam que sou
  • Uma questão fundamental durante a adolescência é a busca de identidade, a qual tem componentes ocupacionais, sexuais e de valores. .Em termos psicológicos, a tarefa básica do adolescente é a aquisição do sentimento de identidade.A crise evolutiva do processo adolescente é sobretudo uma crise de identidade.
  • Para formar uma identidade, os adolescentes devem afirmar e organizar
    Interesses
    Habilidades
    Desejos
    Necessidades
    Expressos num contexto social.
  • Estados de Identidade: crise e comprometimento
    James Marcia, em pesquisa baseada na teoria de Erickson, descreveu quatro estados de identidade, os quais parecem estar relacionados com certos aspectos da personalidade.
    As quatro categorias de estados de identidade diferem de acordo com a presença ou a ausência de crise e comprometimento – elementos que Erickson via como cruciais na formação da identidade.
    Marcia define crise como um período de tomada de decisões consciente e comprometimento como um investimento pessoal numa ocupação ou sistema de crenças (ideologias).
  • Pré-fechamento:
    comprometimento
    sem crise.
    Conquista de Identidade:
    crise que leva ao
    comprometimento.
    ESTADOS DE
    IDENTIDADE
    Difusão de
    Identidade: nenhum
    comprometimento
    e nenhuma crise.
    Moratória:
    crise sem ainda haver
    comprometimento.
  • A adolescência é um momento chave e também crítico na formação da identidade.
    É na adolescência que, segundo Erickson, o indivíduo atinge o ponto de maturação que lhe permite viver em sociedade e relacionar-se com os demais, como pessoa psicossocialmente sadia ou madura.
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
    COOL, César, et.al.(orgs.). Desenvolvimento Psicológico e educação: psicologia evolutiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. v.1.
    OSORIO, Luiz Carlos. Adolescente Hoje. Porto Alegre: Artmed, 1989.
    PAPALIA, Diane E.; OLDS, Sally Wendkos. Desenvolvimento Humano. Porto Alegre, Artmed, 2000.

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Professores: Imagens e auto imagens

Maria Paula de Almeida Borges

170

definem uma pessoa, e que se inscreve num

processo evolutivo. [A identidade social]

molda-se, reorganiza-se, modifica-se ao l

ongo da vida. Realiza-se através de um duplo

processo de socialização

37

e de personalização

38

” (Campeau et all, 1998:109).

Enfim cremos poder dizer que a identidade social repousa sobre “as referências

privilegiadas (...) da pertença

a um grupo ou a uma dada categoria

39

social, as posições

que um indivíduo ocupa numa estrutura so

cial”( (Deschamps et all, 1999:151).

Neste sentido parece-nos ser possível af

irmar que o “indivíduo é tanto um ser

colectivo como um ser privado” (Camp

eau et all, 1998:93)

, possuidor de uma

identidade que se constrói no individual

mas também no colectivo. Assim e se a

identidade pessoal é da ordem do vivido também nos parece que a identidade social

seja da “ordem da realidade vivida”

(Drevillon, 1979:179) podendo, de acordo com o

podem ser entendidos como referentes uma vez que na sua perspectiva os indivíduos “formam grupos

para atingir determinados fins. Conseqüentemente, os fins (...) mantêm freqüentemente os membros do

grupo juntos, conferem uma base à solidariedade e orientam a actividade” (ibid:51). Por último e no que

respeita à ideologia que na sua perspectiva “é muita

s vezes descrita como a característica mental do

grupo” (ibid:53) consideram os autores que ela “co

nsiste num conjunto de ideias que caracterizam a

forma como um grupo expõe, explica e justifica as

finalidades e os meios

das suas acções sociais

organizadas” dando assim ”uma identidade aos me

mbros do grupo, definindo a cesão do grupo e

descrevendo o seu carácter exclusivo”(ibid:54)

37

De acordo com Dubar (

1998:135) “a identidade social não é inat

a, ela resulta da socialização dos

indivíduos. Ela não é puramente pessoal, dependendo do julgamento dos outros”

38

Campeau et all afirmam no que respeita à socia

lização e à personalização que “a socialização permite

ao indivíduo criança fazer a aprend

izagem das regras sociais e culturais para estarem à vontade no seu

meio. Mais tarde, na adolescência, o indivíduo persona

liza-se, isto é rejeita selectivamente certos aspectos

da socialização, escolhe a forma mais pessoal dos m

odelos, dos valores, das normas e fá-los seus”

(1998:109).

39

O processo que permite a elabor

ação e inserção dos indivíduos numa

categoria social – categorização –

foi extensamente desenvolvido por Tajfel aquando da construção da teoria da identidade social. Aebischer

e Oberlé (1990:84) a

pontam no entanto duas funçõe

s essenciais ao processo

de categorização social. As

autoras dizem que este processo “fornece os elementos

de referência a partir dos quais o ambiente e os

factos sociais são estruturados e apreendidos; partic

ipa na constituição da identidade social, uma vez que

esta está ligada ao conhecimento da pertença [do in

divíduo] a certos grupos sociais e ao significado

emocional e avaliativo que resulta desta pertença”.

As autoras referem ainda que ao categorizar

“sistematizamos o nosso ambiente, ordenámo-lo,

simplificámo-lo de maneira que nos podemos

reconhecer na massa de informações e de acontecime

ntos que nos assaltam todos os dias” (ibidem). O

processo de categorização

pressuporá pois “uma actividade de co

nhecimento que nos pe

rmite orientar no

ambiente e de nele nos ancorarmos, (...) uma sel

ecção de informações que são triadas, agrupadas,

ordenadas e reagrupadas em função das categorias per

tinentes para um indivíduo num dado momento e de

critérios que definem essas mesmas categorias” (ibidem).

De acordo com Deschamps et all (1999:155) “uma categoria corresponde (...) a um conjunto de

elementos que têm em comum uma ou várias característic

as” pelo que “toda a categoria social é antes de

mais, uma categoria cognitiva, isto é é o congregar,

em espírito, de pessoas que supostamente partilham

uma ou mais características comuns”.

Professores: Imagens e auto imagens

Maria Paula de Almeida Borges

171

autor, distinguir-se cinco elementos consti

tutivos dessa mesma identidade social. A

identidade social será, pois,

“ - subjectivamente vivida e percebida pelos membros de um grupo;

- resulta da consciência de pertença a um grupo;

- define-se antes de mais pela oposição e diferença com outros grupos;

- discerne-se através de um conjunt

o de representações em que se

opõem traços negativos e positivos;

- as atitudes e imagens exprimem-se num discursos que revela um

sistema de ideias” (ibidem).

E de novo reencontramos ideias que já

foram perpassando na reflexão que

fizemos sobre a identidade e sobre a identidade pessoal. As ideias da similitude e a

correspondente oposta da diferença, da estima de si

40

, dos estatutos e papéis, das

crenças, das práticas, das tradições, das opi

niões. Para além dest

as que perpassam no

entendimento do que poderá ser a identidade

social, encontra-nos-emos, também,

perante ideias que respeitam a aspectos af

ectivos provenientes do”sentido de pertença”

que “se constrói na partilha de experiên

cias comuns” (Campeau et all, 1998:93).

Ideias que nos remetem para diferentes

formas de solidariedade humana até

porque, no entender dos autores, estas “ilu

stram bem no concreto o sentimento de

pertença” (ibid:95) uma vez que “o espírito

do grupo que se exprime nas diferentes

manifestações de solidariedade – sindical, familia

r, de clã ou de classe – se traduz na

entreajuda, na adesão, na lealdade e na

valorização dos laços comunitários. Nessas

40

A estima de si, reenvia-nos “ para os julgamentos de

valor da pessoa por relação com as características

do ou dos grupos com os quais se identifica. Assim uma pessoa poderia dizer que os grupos sociais aos

quais pertence formam uma parte importante da estima de si.” (Vallerand e Losier, 1994:130). Os autores

afirmam, ainda, que a estima de si “reflecte a av

aliação subjectiva do indivíduo quanto aos atributos

pessoais, como as suas competências, a sua personalidade ou a sua apareência” (ibidem)

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172

manifestações de solidariedade esquece-se o

‘eu’ para não se ser senão um ‘nós’ por

detrás de uma causa comum” (ibidem).

E identidade social estará ligada à

similitude uma vez que ela “exprime um

conjunto de papéis partilhados que contribuem para definir, ao mesmo tempo, o

indivíduo em questão e todos os indivíduos

comprometidos com o desempenho desses

papéis” (Lorenzi-Cioldi, 1988:19) sendo a sim

ilitude mais bem aceite pelo indivíduo se

“forem os outros aqueles que se assemelh

am ao próprio sujeito, tido como modelo”

(Aebischer e Oberlé, 1990:77) até porque as

“identidades sociais são partilhadas por

aqueles que ocupam posições semelhantes, que têm pertenças comuns” (Deschamps et

all, 1999: 152).

A similitude, factor constitutivo da identidade social, permitirá ao sujeito então

ser “uma pessoa parecida com aquelas que pa

rtilham o mesmo meio de vida que ele”

(Campeau et all, 1998:109).

O aspecto oposto ao da similitude será o da diferenciação ou singularidade. E,

se por um lado, podemos dizer que um dos aspect

os marcantes da iden

tidade social será

a ideia da similitude, de semelhança entre os indivíduos que constituem um grupo, por

outro lado, parece-nos ser possível dizer que

“se (..) é através da afirmação da nossa

singularidade que confortamos a nossa identi

dade, e se a diferença é para se buscar

como aquilo que nos permite distinguirmo-nos dos outros, esta é também um valor que

partilhamos com os outros” (Aebischer e

Oberlé, 1990:102). Campeau et all (1998:95)

afirmam mesmo que “a partir do momento em que uma pessoa se sente em segurança

no seio do grupo, tem tendência a afirmar a su

a diferença, a sua si

ngularidade, o que a

torna numa pessoa diferente”.

O sentimento de identidade não nascerá, assim, “da consciência da diferença

entre a espécie humana e as outras espécies

animais, mas da existência da distinção

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173

entre colectividades e mesmo entre outros homens e outras colectividades” (Freund,

1979:75) pelo que nos parece ser possível af

irmar que quando falamos em similitude e

em diferença no âmbito da identidade social estaremos a falar quanto ao primeiro na

possibilidade e até necessidade que o sujeito

tem, e expressa, de

se sentir igual ou

similar a outros, por forma a que possa inte

grar , pertencer a grupos com os quais se

identifica e onde encontra a “segurança” Campeau et all (1998:95).

No que respeita à diferença ela está ligad

a quer ao sentimento de distinção entre

grupos quer ao sentimento de distinção en

tre indivíduos de um mesmo grupo. Distinção

esta que acontece uma vez que o grupo “funciona como o catalizador privilegiado da

identificação pessoal” (Ruano-Borbalan, 1998:7).

No entanto, e face ao postulado pela teor

ia da identidade social, enunciada por

Tajfel, poderíamos afirmar que uma das “necessidades fundamentais do indivíduo é

construir e preservar uma identidade distinta

daquela que pertence ao outro” (Lorenzi-

Cioldi, 1988:14).

A distinção intragrupo satisfaz a necessida

de do indivíduo cons

truir e preservar

uma identidade distinta, assegurando níveis

de aceitação securizantes. Por seu lado a

distinção intergrupos responde

à necessidade de sentir que

se pertence a grupos onde se

percebe como “ semelhante aos outros

membros do endogrupo e diferente dos do

exogrupo” (Bourhis e Gagnon, 1994:747). Assim,

o indivíduo, no sentido de satisfazer

esta necessidade “efectua comparações favor

áveis entre o seu grupo e os outros grupos”

(Lorenzi-Cioldi, 1988:14).

Parece-nos, pois ser possível afirmar que

de acordo com o postu

lado pela teoria

da identidade social “um indivíduo partilha

as suas pertenças a categorias sociais com

certos indivíduos e distingue-s

e de outros através destas

mesmas pertenças” (Doise,

1992:253) pelo que seria “ precisamente

pela acentuação das semelhanças e das

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174

diferenças que o organismo vivo pode organi

zar com maior eficáci

a a sua actividade no

ambiente” (ibid:254) o que, no que respeita

ao homem “ tais acentuações seriam

também muito importantes para que ele se

possa orientar no seu universo social”

(ibidem).

Para que o ser humano se possa pois orie

ntar no seu universo

social precisa de

se identificar com certos grupos ligados ao

sexo, à idade, à ocupação profissional, ao

grupo social (cf. Bourhis e Gagnon, 1994:748)

o que pressuporá um processo de

categorização

41

. E será este processo que de aco

rdo com Bourhis e Gagnon, (ibidem)

permitirá ”ao indivíduo definir-se enquanto membro

de grupos particulares nos seio da

estrutura social”. As acções dos grupos so

ciais subentendem sistemas complexos de

categorização que se traduzem nas converg

ências ou clivagens sociais e que permite

ajudar a perceber como “a realidad

e social se estrutura” (1992:263).

A identidade social que se constrói se

rá entendida assim como “parte do

conceito de si dos indivíduos que provém do seu conhecimento da pertença a um grupo

social, associado ao valor e à significação

emotiva desta pertença” (Bourhis e Gagnon,

1994:748).

A teoria da identidade soci

al releva, pois, “a definição

de um ‘nós-outros’ que

permite aos membros de um grupo dizer ‘nós

pertencemos a um gr

upo’ (...) graças a

este processo, os indivíduos percebem-se

como membros de um grupo, identificam-se

como tal e diferenciam o seu grupo de out

ros grupos” (Deschamps et all, 1999:43).

41

Deschamps et all (1999:154) dizem mesmo que a cat

egorização “permite o re

corte do ambiente para

posterior reagrupamento dos obj

ectos que são ou que parecem similares uns aos outros em certas

dimensões e diferentes de outros objectos nessas

mesmas dimensões. A categorização tem um papel

específico na estruturação do ambiente tendo um

a função de sistematização

(recorte e organização) e

através da simplificação em si desse mesmo ambiente.

(...) Um dos principais ef

eitos da categorização é o

aumento percebido das diferenças entre as categorias (...) e das semelhanças no interior de uma mesma

categoria”.

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175

Será através da percepção, da identificação

da pertença a categorias sociais que

o indivíduo pode construir “uma

identidade social positiva

[uma vez que] o grupo de

pertença deve aparecer diferente dos outros

grupos nas dimensões julgadas positivas e

importantes para o indivíduo membro

desse grupo” (Bourhis e Gagnon, 1994:748). Mas

para além da possibilidade de construção de uma identidade social positiva, o indivíduo

na relação que o seu grupo de pertença – o

endogrupo – estabelece com o ou os outros

grupos, pode ainda construir um

a identidade social negativa

o que pode “ter um efeito

nefasto na estima de si” (ibidem) uma vez que “há uma sobreavaliação do exogrupo

percebido como tendo a maior parte das cara

cterísticas valorizadas pela sociedade

dominante” (ibid:749). Tal fact

o, pode levar-nos a afirmar com Doise que “as pertenças

categoriais intervêm em grande parte na

definição do Eu/Self que cada indivíduo

elabora “ (1992:265) mas que a “acentuação da

s diferenças e das semelhanças entre

grupos [sendo os processos centrais da

categorização] nã

o se desenrolam

necessariamente de uma forma simétr

ica para todos os

grupos” (ibid:267).

Mas importa distinguir a identidade ”social ‘virtual’ emprestada a uma pessoa e

a identidade social ’real’ que ela se

atribui a si próp

ria” (Dubar, 1997:107).

E a identidade social virtual pode assumi

r grande variabilidade conforme ela

decorre do endo-grupo ou do exogrupo. A identidad

e social será ainda o resultado do

processo de interacção que cada um de nós

desenvolve com os outros e com o meio em

que se move permitindo assim, que cada um escolha entre as diversas opções que o

grupo ou grupos de pertença lhe oferecem, até por

que as escolhas, as opções feitas pelo

indivíduo permitem o comprome

timento do “ser individual

na colectividade” (Freund,

1979:79). Deste comprometimento releva o f

acto de o mesmo ser assumido não apenas

como a “simples selecção passageira que

[qualquer um] faz quotidianamente na sua

existência” (ibidem) mas sim co

m convicção e com”fé” (ibidem).

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176

E porque a identidade social se constrói

também desde os mais tenros anos da

vida de cada um e se vai refazendo até ao

momento da morte, parece-nos ser possível

dizer que ela se constrói em grupos

como a família, a escola, o trabalho.

3.5. A identidade profissional

Procurando nós perceber qual a imagem que

os professores têm de si próprios e

quais as imagens que os outros – nomeadamente os alunos – têm da profissão e dos

profissionais, cremos ser necessário reflectir sobre esta forma de identidade social

específica que é a identidade profissional.

E entendemos que a identificação prof

issional é uma forma específica da

identidade social, pois, como afirma C

ohen-Scali, (2000:81) a “distinção entre

identidade social e identidade

profissional não aparece semp

re de forma clara” uma vez

que a diferença essencial entre as duas identid

ades estará ligada ao contexto particular e

até singular no qual a identidade social

se actualiza, aparecendo a identidade

profissional como uma facet

a da identidade social.

Relembremos que tal como já dissemos

todos nós pertencemos a vários grupos,

ao grupo família – onde ocorre a primeira socialização – ao grupo escola – é na escola,

na interacção com os seus pares e com os

professores, que a criança experimenta a sua

primeira identidade so

cial num grupo mais alargado – e mais tarde ao grupo de

trabalho, que no caso dos professores

que nos interessa

prefigura um grupo

profissional, mas que na sociedade actu

al é uma situação entre muitas outras.

Entendida a necessidade de individualmen

te ao mesmo tempo que, em conjunto,

construirmos a identidade social, entendido

ainda o facto de todos nós vivermos em

Professores: Imagens e auto imagens

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177

relação com os outros, em grupos, pois nenhum

de nós é uma ilha isolada, surge-nos,

por vezes, de forma pouco clara a distinção entre a identidade social e a identidade

profissional.

As identidades profissionais diferenciam-

se das identidades sociais porque “se

constituem e evoluem no quadro de activ

idades particulares: as actividades

profissionais” (Cohen-Scali ,2000:82). Entenda

-se aqui actividade

s profissionais em

sentido amplo, não excluindo actividades labo

rais que a sociologia

das profissões não

reconhece como profissão.

Mas não é indiferente a qualif

icação de profissional. Co

m efeito, como diz Blin

(1997:182) “a noção qualif

icante de profissional é uma

das instâncias da identidade

social que postula que, no contexto prof

issional, a identidade profissional seja

mobilizada prioritariamente por

relação às outras identidade

s. É uma vez mais afirmar a

necessária contextualização no

sentido em que o contexto actualiza preferencialmente

as identidades que lhe são específicas”.

Mas a identidade profissional não depende

só do contexto social e profissional

nem se resumem essencialmente a situar

socialmente alguém. ar

a Dubar (1997:235) As

identidades profissionais co

rresponderão, para Dubar (1997:235) “a trajectórias sociais

diferentes (...) envolvem as

categorias oficiais, as posiçõ

es nos espaço

s escolares e

socioprofissionais, mas não se resumem a cate

gorias sociais. São in

tensamente vividas

pelos indivíduos em causa e reenviam tanto para

definições de si como para rotulagens

feitas pelos outros: são pois formas identitárias”.

Voltando ainda ao contexto em que ocorre

m as identidades pr

ofissionais parece-

nos também determinante para a emergência

da identidade sub

linhar que “a questão do

trabalho que se faz, do seu lugar na sociedade e do sentido que se lhe dá constituem uma

dimensão, mais ou menos central, das identi

dades individuais e colectivas” (Dubar,

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178

1998b:66). E de novo temos aqui a ideia de que

a identidade profission

al é uma parte do

que poderá ser entendido como a identidade

colectiva que “implica a aspiração a uma

identidade pelo menos parcialmente construí

da no seio de um grupo, a partir de um

conjunto de relações tais como uma comunhão

de pontos de vista ou de estilos de vida e

mais geralmente maneiras de ser” (Freund, 1979:67).

De acordo com Cohen-Scali (2000:82), a

identidade profissi

onal e a identidade

social não se chegarão a confundir, embora

nem sempre a distinção entre ambas seja

clara porque “a primeira reenvia para o

domínio do emprego e das actividades

económicas enquanto que a segunda diz re

speito ao estatuto social”.

Assim, e tendo em conta que Dubar ente

nde que as identidades sociais são

formas identitárias, parece-nos ser possível afirmar que “a noção de forma identitária

engloba estes dois aspectos essenciais da

identidade num contexto em que a relação

com o emprego se torna num aspecto essencia

l” (ibidem) até porque falar de formas

identitárias correspond

e a falar de “maneiras de se definir

42

, de se identificar face aos

outros, no campo profissional” (Dubar, 2003:45).

A identidade profissional poderá ser en

tendida, pois como o “produto de um

duplo compromisso

43

entre a identidade para o outro

44

(...) e uma identidade para si

45

(ligada à biografia, à trajec

tória escolar e á identidade visada)” (Gravé, 2003:38) uma

42

Dubar afirma que existe uma diversidade de maneiras que cada um utiliza para se identificar, para se

definir. Essa diversidade de maneiras “de se definir de

se situar por relação aos

outros e de antecipar o seu

futuro, não é apenas um produto do seu percurso anterior, origem social e diploma escolar. Ela é também

resultante das experiências sobre o mercado de trabalho

(interno ou externo), isto é, ela é resultante de um

trabalho sobre si, situado num contexto relacional e dependente de processos de reconhecimento social e

pessoal” (2003:45).

43

A este duplo compromisso ou transacção corres

ponderão dois importantes campos, no entender de

Dubar, o que corresponde à sua relação “consigo mesm

o, através da maneira como cada um conta o seu

percurso anterior, na maneira como se transforma

em conto” e o que corresponde à sua relação com “os

outros através da forma como se forja o reconhecimento de si pelos parceiros de actividade” (2003:45).

44

O autor entende, no que respeita à identidade profissional, como identidade para os outros “o

reconhecimento (ou não) em determinado momento e num

dado contexto das competências e saberes de

um indivíduo em termos de estatuto e de remuneração” (Gravé, 2003:40)

45

Que se caracteriza pelo facto de estar ligada “às traj

ectórias sociais, escolares e profissionais anteriores

e à percepção do futuro individual” (Gravé, 2003:40)

Professores: Imagens e auto imagens

Maria Paula de Almeida Borges

179

vez que este processo de duplo compromisso

poderá ainda ser caracterizado pelo facto

de ocorrer num “universo de trocas”

(Sainsaulieu, 1988:259) que poderá ser

considerado como um “lugar de experimentação

sobre si e sobre os outros” (ibidem).

A identidade profissional constituirá, em

nosso entender, “não só uma identidade

no trabalho, mas também e sobretudo uma pr

ojecção de si no futur

o, a antecipação de

uma trajectória de emprego e o desencadear

de uma lógica de apre

ndizagem, ou melhor,

de formação” (Dubar,1997:114). O que, no ente

nder de Dubar, poderá ser chamado de

“occupational identity” (ibidem) pretende

ndo-se com esta designação significar “a

identificação a uma carreira na sua

globalidade (career), a implicação

46

(commitment)

num tipo de actividades e a e

xperiência da estratificação

social, as discriminações

étnicas e sexuais, as desigualdades de ace

sso às diferentes pr

ofissões” (ibidem).

A noção de que a identidade profissiona

l transporta consiga uma ideia de

prospectiva, de futuro, par

ece-nos deveras importante. E

parece-nos importante pois, o

trabalho, hoje, não se perspectiva da mesm

a forma que se perspectivava nos anos do

post-guerra.

A ideia que perpassava nessas décadas er

a ainda a ideia de que o trabalho era

para a vida e que dependia da formação qualificante inicial de cada indivíduo. Essa

formação inicial permitir-lhe-i

a encontrar um posto de tr

abalho que lhe “assentava

como uma luva” e no qual se manteria

para o resto da sua vida activa.

Hoje, face às mudanças vertiginosas que se foram e vão operando parece que

“todas as ‘convenções’ portadoras de identida

des profissionais, e portanto, sociais, são

46

Thévenet entende que a implicação é uma “noção

nova” (1990:44) e que respeita à “interacção do

sistema de valores da pessoa, da sua própria percepção do sucesso pessoal e da auto-concepção com o

sistema de valores da empresa e da sua cultura” (ibi

d:45). Para este autor a implicação poderá ainda ser

definidada através da “convicção

e aceitação dos objectivos e valore

s da organização; vontade de actuar

no sentido das missões e finalidades que a organização

estabelece; desejo muito forte de manter a sua

participação na vida da organização” (ibidem)

Professores: Imagens e auto imagens

Maria Paula de Almeida Borges

180

progressivamente postas em causa (...) pelas

novas formas de gestão das empresas e

mesmo às vezes pelas próprias administrações” (Dubar, 1998b:71).

Hoje novas competências são valorizadas, a estabilidade do e no emprego, a

imobilidade interna já não serão, por muitos, queridas como o pareciam ser

anteriormente.

Hoje, parecem “multiplicar-se os procedimentos de individualização (...), pôr-se

em dúvida as categorias (...) históricas em

blemáticas de uma identidade social forte”

(ibidem) o que nos permitirá dizer que “é

no confronto com o mercado do trabalho que,

sem dúvida, se situa hoje o desafio ident

itário mais importante

dos indivíduos da

geração da crise. Este confronto assume form

as sociais diversas e significativas segundo

os países, os níveis escolare

s e as origens sociais. Mas é da sua saída que depende,

simultaneamente, a identificação pelo outro das suas competências, do seu estatuto e da

carreira possível e a construção para si do

projecto, das aspirações e da identidade

possível. Este afrontamento com a incerteza,

diz respeito praticam

ente a todos” (Dubar,

1997:113).

Esta articulação de que Dubar nos fala

entre a identidade para si e a identidade

para os outros estará, assim, “no coração dos processos de construção ou de reprodução

identitária de cada indivíduo” (Gravé, 2003:40).

Para além desta articulação parece-nos se

r de relevar o facto de que as relações

que os indivíduos estabelecem no ou nos seus

locais de trabalho, serão factor importante

e terão uma “importância crescente na so

ciabilidade do trabalho” (Sainsaulieu, 1988:

256) até porque a organização será, no

entender de Sainsaulieu, “um lugar de

aprendizagem de normas de relação porque

oferece possibilidades de experimentação

estratégica” (ibidem), o que

fará com que o indivíduo possa

ser “influenciado na sua

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181

forma de racionalizar, de simbolizar e de

interpretar a sua experiência ou a dos outros

pelas circunstâncias da com

unicação no trabalho” (ibid:11).

E já que falamos de um universo de trocas estratégicas lembremos que é

Teixeira (1993:442) que afirma que “entre

a organização e o actor

organizacional se

estabelece um sistema de tr

ocas que se pode exprimir pe

la existência de um duplo

constrangimento. É este duplo constrangiment

o que faz dele suje

ito activo e passivo,

determinante ou determinado” ou como disse

mos anteriormente citando Etzioni, é este

duplo constrangimento que faz com que

o actor seja servo ou senhor.

E é ainda de relevar que para além de fa

larmos de um universo de trocas falamos

de um universo de trocas estratégicas e

que este sublinhar da

noção estratégica

47

releva

de facto de que quando se afirma que "um act

or tem um comportamento estratégico [se]

significa que ele é capaz de uti

lizar os recursos de uma situa

ção e as ocasiões que se lhe

oferecem para atingir objectivos pessoais.

Estes não são, aliás, sempre claros e

coerentes; não emergem sempre forçosamente

da consciência. Pa

ra o observador, como

para o par ou o adversário,

a estratégia do actor torna os seus actos totalmente

imprevisíveis visto que dependem do ajustame

nto do actor a recurs

os flutuantes da

situação organizacional, segundo os seus

objectivos pessoais.

" (Petit, 1989:138).

As relações profissionais actualizam-se

e ocorrem estrategicamente, acontecem

pois entre os indivíduos e, dependendo do tipo

de relações que cada um estabelece com

os que rodeiam – relações de par ou de chefe ou subordinado –“desenvolvem-se

47

Alves-Pinto (1995:159) afirma que a “análise estrat

égica (...) vai trabalhar muito com as atitudes das

pessoas. Só que estas atitudes não vão ser olhadas como determinadas em exclusivo pelo passado das

pessoas. Este passado vai interessar na medida em que

permite delimitar, de forma mais adequada , as

representações que os actores vão ter das situações

e das oportunidades de accção que essas situações lhes

abrem”.

E porque como já dissemos anteriormente a identidade profissional transporta dentro de si

também a noção de futuro esta não está ausente da noção de análise estratégica. É de novo Alves-Pinto

que refere que “a análise estratégica põe os projectos

pessoais, com a dimensão de futuro no centro da sua

interpretação. Com efeito, estudar as estratégias do

actor num determinado sistema é perspectivar a sua

acção em termos de como se projecta no futuro pr

óximo, a médio ou a longo prazo, tendo em conta as

oportunidades que vislumbra no sistema onde interage” (ibidem)

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182

constantemente fenómenos de identificação projectiva ou identificativa” (Sansaulieu

1988: 304). Estes fenómenos estão intrinsecamen

te relacionados com as interacções no

campo profissional, que se

repercutem directamente

na identidade do indivíduo.

Estaremos, pois de acordo com o autor

quando afirma que “o conceito de

identidade é portanto muito precioso para de

signar esta parte do sistema do sujeito que

reage permanentemente à estrutura do sistema social. A identidade exprime esta busca

da força que encontramos nos recursos soci

ais do poder para se chegar a possibilidade

de se fazer reconhecer como detentor

de um desejo próprio” (1988: 333).

Entre os indivíduos estabelecem-se relações de poder

48

que relevam quer da

modalidade do exercício de autoridade, quer

de modalidades de reacções à autoridade.

Neste último caso podemos distinguir quatro formas de reacção

49

a essa mesma

autoridade. Estas quatro formas relevarão

ainda em termos de análise feita da

observação de “dois grandes ei

xos que estruturam as identidades do trabalho concebidas

como forma de socialização no trabalho e na empresa” (Cohen-Scali, 2000:84). Os dois

grandes eixos referidos serão aqueles que re

speitam por um lado à integração colectiva

e por outro à ou às sociabilidades

50

no trabalho. As quatro formas de reacção à

48

No que respeita ao poder, Boudon e Bourricaud le

mbram que "o poder é a capacidade exercida pelos

líderes (...) para fazer coincidir motivaçõ

es e interesses heterogéneos" (1986:442).

Livian aponta para o facto de que, o poder pode ser entendido como a "capacidade que tem um

indivíduo ou grupo de indivíduos para afectar concretamente o funcionamento e os resultados de uma

dada organização" (1987:9) até porque "compreender como os homens cooperam no seio de uma

organização permite-nos dese

nvolver propostas importantes sobre o

modo como se podem resolver os

problemas de integração em conjuntos complexos e sobre o modo como tais conjuntos se regulam".

(Crozier e Frie

dberg,1977:256).

Crozier e Friedberg dizem que "o poder reside na margem de manobra de que dispõe cada uma

das partes envolvidas numa relação de poder" pelo

que, será, também, possível afirmar com estes autores

que "o poder de um actor social está em função da

amplitude da zona de in

certeza que a im

previsibilidade

do seu comportamento lhe permite contro

lar face aos outros actores" (1977:59)

49

Cohen-Scali (2000:84) afirma que Sainsaulieu diz qu

e “a identidade no trabalho se ancora nas relações

de poder que os trabalhadores estabelecem na empresa”

50

Sainsaulieu a respeito da análise das formas de sociabilidade no trabalho afirma que esta “mostra

definitivamente que as categorias socioprofissionais clássicas não coincidem com modelos de

comportamento homogêneo” (1988:244) o que pressupõe ainda a necessidade de se ter em conta as

mudanças e os constrangimentos do mundo do trabalho que ao longo dos tempos e das décadas foram e

vão ocorrendo como já afirmamos.

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183

autoridade nas relações humanas de trab

alho que deles relevam podem então, de acordo

com Sainsaulieu (1988:241-243), ser denominadas da seguinte forma:

descomprometidas, conciliadas, excluídas e solidárias.

A cada uma destas formas corresponderá

um tipo de trabalhador ou grupo de

trabalhadores.

À reacção descomprometida corresponderão os trabalhadores que não têm poder

no que respeita ao controlo da regra e da comunicação

51

, que têm uma forte

dependência no trabalho e que “procuram utilizar

a relação de autoridade para retirarem

vantagens individuais” (ibid:241).

A situação em que a “colectividade é central para as trocas humanas” mas em

que os “constrangimentos da situação, nom

eadamente as fontes de acesso a um poder

real [existem] mas [nos apresentam e

sse poder como] limitado para cada um dos

indivíduos “ (ibid:242) sendo ainda

as condições de acesso a

essas fontes “tais, que o

grupo de colegas não funciona senão com uma

relativa indiferença entre eles” (ibidem)

51

Quando Sainsaulieu refere o controlo da regra e da

comunicação remete-nos em termos do poder para o

que poderemos entender como fontes de poder.

Vários foram os teóricos das organizações que

procuraram compreender de que forma as fontes

de poder podem ou não interferir com o desempenho e

as relações que os actores desenvolvem nas orga

nizações. De entre eles destacamos o que Crozier e

Friedberg afirmam quanto a duas das quatro fontes de poder que enunciam e que respeitam às fontes de

poder que permitem o controlo

da informação e das regras. Assim, para estes autores, o

domínio dos

fluxos de informação e da comunicação

(1977:74) entre as unidades e os membros de uma organização

estará relacionado com a forma como cada actor tr

ansmite as informações que possui o que afectará

profundamente a capacidade de acçã

o não só dos outros actores mas também a capacidade de acção da

própria organização.

No mesmo sentido parece-nos estar Burke que ao referir o

controlo dos recursos na organização

diz que ele "decorre directamente da capacidade

de acesso à informação" afirmando, ainda que "a

aquisição e a distribuição de recursos valiosos constituem uma excelente fonte de exercício do poder" até

porque " quanto mais aumenta a dependência de B (s

ujeito) em relação a A (aquele que detém o recurso

que B necessita) mais a influência de A é importante" (1991:36-37) e, portanto, quando se é o único a

deter o recurso desejado maior poder se tem para influenciar e controlar os outros.

Quanto ao controlo da regra que Crozier e Friedberg afirmam, dizer respeito à fonte de poder

existência de regras gerais da organização

(1977:75), este poder ser visto como, "um constructo e pode

compreender-se como uma resposta da direcção ao prob

lema posto pela existência das três outras fontes

de poder"(ibidem). Para Crozier e Friedberg é através da

existência de regras gerais da organização que se

definem, também, as regras da direcção - aquilo qu

e denominam da "autoridade oficial" - permitindo, o

seu conhecimento, que os actores se aproveitem dela

s como uma protecção contra eventuais decisões

discricionárias, tomadas a um nível superi

or da hierarquia or

ganizacional (1977:77).

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184

é aquela que parece caracterizar a forma conciliada. Nesta forma cada um, indivíduo ou

grupo, depende fortemente dos líderes dos

grupos, aceita uma organização rígida da

colectividade e um tipo de “reivindicações à

autoridade formal” (ibid:243) que permite

que cada um assuma as suas responsabilidades e que o líder proteja os indivíduos.

A forma excluída caracterizar-se-á pela

inexistência de “sinais de uma vida

colectiva estável” (ibidem), pelo facto de

“as trocas entre pares estarem carregadas de

um conteúdo diferenciador fort

e” e ainda pelo fact

o de o tipo de poder a ser exercido ser

o do “perito parcial” (ibidem). Para Sainsa

ulieu esta é a forma em que “a exclusão, o

sentimento de ruptura e a dificuldade em de

finir um novo universo de pertença social e

profissional são os elementos mais prová

veis da vida colectiva” (ibidem).

Por último e no que respeita à quarta forma, a solidária, Sainsaulieu diz-nos que

esta “corresponde à experiência maior do poder. Os indivíduos são mergulhados na

possibilidade permanente de redefinir a

regra a partir do poder do especialista

52

(ibidem). A relação que os indivíduos e os

grupos desenvolvem entre si permitirá então

a existência de uma vida colectiva “pensada

como numa fonte de solidariedade activa

porque pode repousar sobre gran

des trocas e sobre a lei

democrática da maioria”

(ibidem).

Estas quatro formas de reacção poderão ree

nviar-nos para formas de estar, de

participar nas organizações, o que nos poderá

levar a dizer que, quer as formas de

participar apresentadas por Thévenet (1990)

no que respeita ao modo como os actores

aderem aos valores das organizações que

integram e as oportunidades que daí crêem

poder retirar, quer algumas das apresentadas

por Alves-Pinto (1995) quando refere as

52

De novo somos aqui remetidos para as fontes de poder e se tomarmos como exemplo o que Crozier e

Friedberg (1977) ou Teixeira (1993) afirmam estaremos, no que se refere ao poder do especialista,

perante a fonte de poder

conhecimento

ou

domínio de uma competência específica

. Crozier e Friedberg

entendem que a fonte de poder que decorre de se

ser possuidor de uma comp

etência ou especialização

funcional será dificilmente substituível. O especialista é o único que dispõe do saber, do saber fazer, da

experiência do contexto que lhe permite resolv

er problemas cruciais

da organizaçã

o (1977:72).

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185

formas de estar na escola como expre

ssão de uma modalidade

de interacção, poderão

estar próximas.

Assim parece-nos encontrar alguma similitude entre a reacção descomprometida

e o tipo de adesão “mercenário” apresenta

do por Thévenet (1990:46). Como referimos a

reacção descomprometida caracterizar-se-á pe

lo facto de os indivíduos procurarem

utilizar a relação de autoridade para reti

rarem vantagens individuais. Enquanto que de

acordo com Thévenet o mercenário procurar

á retirar da organização o maior número de

vantagens pessoais, abandonando-a quando mel

hores propostas lhe são apresentadas.

Já no que respeita à reacção

conciliada parece-nos ser

possível dizer que ela se

inscreverá relativamente às formas de esta

r enunciadas por Alve

s-Pinto num misto de

participação apática

ou abandono (1995:166).

Assim, neste tipo de reacção Sainsau

lieu adverte-nos que o indivíduo e o grupo

funcionará apenas “com uma relativa indi

ferença entre eles” (1988:242). Transportando

esta reacção para as formas de estar numa organização poderemos dizer que ela se

conteria entre a hipótese de “os actores fazer

em aquilo que lhes é formalmente exigido”

(Alves-Pinto, 1995:166) –

participação apática - e o consid

erar que a sua

participação

não revela “trazer grandes vant

agens” (ibidem) para o facto

de se sentir que se “caiu

numa certa rotina” (ibidem) – abandono. Se r

ecorremos a Thévenet encontrar-nos-emos

provavelmente face a uma posição de “presentismo contemplativo” (1990:46) que

caracterizará aquele que

é entendido como tendo uma adesão de demissionário.

Por último a reacção solidária poderá, em

nosso entender, encontrar ecos junto

do enunciado por Thévenet como a adesão mi

ssionária ou a forma de estar participação

convergente apresentada por Alves-Pinto.

Assim, para Thévenet, o missionário cara

cterizar-se-á pela “forte adesão aos

valores da empresa sem qualquer preocupação pelas oportunidades” (ibidem) enquanto

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186

que para Alves-Pinto os actores que revela

m ter uma forma de es

tar na modalidade de

participação convergente serã

o “os que jogam com as regras

que estão estabelecidas e

conseguem inscrever no âmbito

da organização os seus pr

óprios projectos de forma não

problemática. Isto não significa que sejam ‘act

ores fáceis’ no sentido de estarem sempre

de acordo. Até podem, em certo

s momentos, mostrar a sua in

satisfação e tecer críticas

(...). Mas fazem-no nos locais apropriados, usando os mecanismos formais e informais

ao seu dispor” (1995:165). Tais

formas de adesão ou de

estar não estarão longe da

reacção solidária definidas

por Sainsaulieu (1988:243).

Em jeito de conclusão cremos ser possíve

l dizer que a identidade profissional é

uma forma específica da identidade social, que com ela partilha as características, por

vezes paradoxais, da necessária continuidade

, temporalidade, similitude e diferença,

mas que para além de se construir na relação que cada um de nós estabelece com os

outros, nos sentido de pertença

e de referência ao ou aos gr

upos em que nos integramos

ou desejamos integrar, “representa (...)

uma forma de identidade colectiva

particularmente durável, ancora

da no trabalho” (Dubar, 1998

b:67) e que tem dentro de

si todas as potencialidades do futuro, dos projectos que permitem a cada um ir-se

(re)construindo enquanto identidade para

si e identidade

para os outros e

(re)conhecendo-se enquanto porta

dor de uma identidade.

A identidade profissional, entendida como a “articulação entre uma transacção

‘interna’ do actor e uma trans

acção’externa’ entre o actor,

os grupos e o contexto

profissional com os quais o actor entr

a em interacção” (Blin, 1997:179), será

constituída, portanto, por um conjunto de re

lações de trabalho que cada um de nós vai

estabelecendo ao longo da vida de adulto, inserido num campo profissional, pelas

Professores: Imagens e auto imagens

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187

representações sociais, pelas representações

de si e pela articula

ção entre as várias

transacções que vão ocorre

ndo entre as relações e

a biografia de cada um.

4. Conclusão

Chegados ao fim desta nossa reflexão sobre a identidade cremos ser chegado o

momento de voltarmos à nossa ideia inicial, is

to é a de que a identidade é um conjunto

concatenado da identidade pesso

al e da identidade social.

Ter, ser possuidor de uma identidade

significará, em nosso entender, ter

percorrido ou melhor estar em constante cam

inhada de construção, de conhecimento de

si, de conhecimento dos outros, de aceitação de

si e dos outros, de procura de aceitação

e reconhecimento de si por parte dos outros.

Ter, ser possuidor de uma identidade significará que cada um de nós será um ser

singular, diferente, mas ao mesmo tempo

semelhante. Significará ter um projecto

próprio que ao mesmo tempo é partilhado

por outros, ser solitário, autônomo, ter

liberdade de escolher de decidir por si

e ao mesmo tempo integrar-se em grupos de

pertença, desejar pertencer

a outros grupos ou pelo meno

s identificar-se com eles

naquilo que são os valores, as crenças, as at

itudes, a cultura, as

finalidades ou objectivos

que os fazem mover-se. Signifi

cará ser semelhante ao outros ao mesmo tempo que deles

se é totalmente diferente, em suma significará ser, como afirma Mounier (1976:87), “ser

aquela árvore, pulsar ao

doce calor primaveril, crescer com ela no seu secular

crescimento, brotar com alegri

a de seus rebentos, sempre

sendo eu próprio e sempre

sendo distinto”.

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188

Ter ou ser possuidor de uma identidade si

gnificará, ainda, que cada um de nós

tem um passado que nos ancora, um presente que se vai construindo e vivendo nas

relações pessoais, afectivas,

cognitivas, racionais e de

trabalho que estabelecemos com

os que nos rodeiam e connosco próprios. É te

r um futuro que se perspectiva, que se

deseja, que corresponde a um projecto indi

vidual mas também colectivo. É ter uma

imagem de si que se foi, vai e irá constr

uindo através do refle

xo observado nos olhos,

nos comportamentos, nas confirmações, reje

ições ou desconfirmações de si que os

outros nos vão dando, fornecendo.

Ter ou ser possuidor de uma identidade significará viver crises e a elas

sobreviver, evoluir, aprender com elas

desde que nascemos até que morremos.

Significará viver as crises da infância, da

adolescência, da juventude, de si próprio e

crescer, e sobreviver e ser “aquilo qu

e não pode ser repetido” (Mounier, 1976:77).

Ter ou ser possuidor de uma identidade significará que não se é apenas um,

significará que dependendo dos contextos,

do tempo, do espaço, dos grupos a que

pertencemos ou vamos pertencendo ao longo da

vida construímos diferentes identidades

para os outros o que nos permitirá dizer que somos seres poli-identitários e que a noção

de identidade, para além de multifacetada, tem dentro de si paradoxos, o que faz com

que a entendamos como uma noção complexa em constante devir. Por outro lado

significará, também, e apesar de sermos

seres poli-identitários que nos possamos

reconhecer enquanto pessoas, ao longo da nossa vida, aconteça o que acontecer, pois

existe sempre um fio condutor, um grande

baluarte, fortaleza a que podemos recorrer

em momentos de confusão que é a identidade para si.

Por fim ter ou ser possuidor de uma iden

tidade significará

ter vivido, significará

ser ao mesmo tempo servo e senhor, vassal

o e rei de si e dos

outros, significará

reconhecer que a identidade não é algo de “uni

ficado” mas que ela será sim “algo que se

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189

move e muda, que constitui através de uma pl

uralidade de expressões uma trama sólida

à imagem desses fios diversificados na te

xtura e na cor que constituem nos seus

múltiplos cruzamentos os tecidos resistentes que nós conhecemos” (Maffesoli,

1979:59)